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Archive for May, 2010

Sebastião – o pardal domesticado

31 May

Os pais da minha babe têm lá em casa deles um pardal domesticado. Exactamente! Um daqueles pardais comuns da rua completamente domesticado. Pode haver muita gente que acha que isso não é possível, mas o pequeno Sebastião é a excepção à regra. Pelo que me consta a irmã da minha babe encontrou-o algures muito bebé. Tiveram de o alimentar à boca e sem grandes hipóteses de sobrevivência acabaram por o adoptar.

Aqui está ele nos ombros da minha babe. Quando o soltam anda de ombro em ombro a pedir comida. Basta pôr a língua de fora com alguma comida mastigada e ele vai lá e depenica tudo, sempre com cuidado para não nos aleijar. Pegar nele é complicado que ele não deixa, mas ele interage imenso connosco.

Às vezes vai dar espectáculo para cima da mesa. É super giro o pássaro, já vi vários canários domesticados mas nunca vi nada como o Sebastião.

 
 

Mergulho #11 – Cascais

30 May

No passado fim de semana fiz o meu mergulho número 11, já com o material novo. Com tão poucos mergulhos ainda sou um mergulhador novato, e é espectável que as coisas possam correr menos bem. Ia um pouco nervoso mas quando lá cheguei isso sumiu tudo. Iamos fazer um mergulho de 30 metros para ver um wreck supostamente desconhecido. Os monitores disseram que um pescador o tinha descoberto há pouco tempo e ainda não se sabia nada. Eu fiquei todo contente, apesar de preferir mergulhos menos profundos.

Fomos lá no barco rápido uns 15 minutos até ao spot. Também gosto muito de ir naqueles barcos àquela velocidade. Quando lá chegámos o mar estava agitado e o barco balonçava muito. Equipei-me e fui para a água com o meu companheiro. Logo aí as coisas correram mal: o computador dele ficou com um amok e o meu não mostrava nada (espero que falta de pilhas). Mergulhar aos 30 metros é complicado e um mergulho curto, e sem o computador para nos guiar é perigoso. Por isso acompanhamos lá o pessoal.

Na descida não tive quaisquer problemas de equalização, mas este foi sem dúvida o pior mergulho que já tive. A visibilidade era péssima, e não vimos nada. Mas mesmo nada! Nem wreck, nem peixes, nem plantas,  nem rochas, nem nada. Só areia que resultava em poeira e visibilidade ainda pior. Demos lá umas voltas nem sei por onde, e depois foi altura de voltar. Fizemos os patamares e depois upa para o barco.

No barco com o fato semi-seco e o calor com que estava comecei a sentir-me muito mal. Felizmente aprendi nas aulas de coaching algo muito útil (e ironicamente não relacionado): o calor é um factor muito importante quando nos sentimos mal, pelo que se arrefecermos contrariamos o mau estar. Despi logo o facto e fiquei em tronco nú, e senti-me a voltar ao normal rapidamente.

Enfim, foi um mergulho chato e complicado, mas eu como gosto de ver as coisas pelo lado positivo, encaro estas experiências como benéficas. Ter estes mergulhos fará com que consiga aproveitar melhor os seguintes.

Não me parece é que voltaremos a utilizar aquele centro de mergulho… sentimo-nos muito mal servidos. A ver se da próxima experimentamos a Glauca.

 

Primeiro dia de praia

29 May

Não foi a primeira vez neste ano que fui à água mas foi a primeira vez que fui à praia, com a minha babe e uma amiga do lado dela. Normalmente eu não gosto muito de ir à praia, porque nunca há muito para fazer, sem ser estar a assar ao sol ou estar na água. Se é por estar na água prefiro outros sitios ou ocasiões. Se é para tomar uma cor não me interessa, pois sou muito branquelas e queimo com facilidade. Como a minha babe levou a amiga ainda ia ser pior… já sabia que ia ficar à seca enquanto elas falavam lá das coisas delas. Vai daí levei um livro que tenho ali na gaveta há muito tempo para ler:

O Freakonomics era um livro cujas reviews me tinham despertado muito interesse. Agora que o comecei a ler continuo super interessado e está-se a revelar um livro diferente e indispensável. Como eles dizem, o objectivo os autores é procurar os sentido escondido de tudo e mais alguma coisa. Quando o acabar de ler fazer eu próprio uma review.

Também estreei o meu bat-cinto novo:

Os utensílios de transporte de tralha para homens são algo que deveria ter mais inovação. As mulheres têm montes de tralha, mas nós também temos muita: a carteira, grandinha e cheia de notas de zero euros, o porta-chaves com as chaves de casa e da casa dos pais, um ou dois telemóveis, e a caixa de óculos. Isto tudo para levar nos bolsos é chato, por isso costumo experimentar alternativas. Acho que ainda não é desta, mas vou dar um tempo a este bat-cinto e depois logo se vê.

 

IRS de recém-casados

28 May

Se eu me casar a meio do ano como é que faço o IRS referente a esse ano? Não sabia se era para dividir as coisas ou não. Isto é especialmente importante devido às despesas que se querem partilhar no IRS. Encontrei uma explicação na net neste link. Basicamente a minha interpretação daquele mambo jambo todo xpto é que: mesmo que se casem a 31 de Dezembro, o IRS será conjunto e referente à totalidade do ano.

Não se esqueçam é da outra face da moeda: tal como as despesas se referem ao ano todo, também é contabilizado o rendimento total do casal no ano todo, o que pode traduzir-se numa subida de escalão.

 

Escolha de banco sem comissões de manutenção

27 May

Eu tenho a minha conta principal no BiG, sendo que tenho uma conta também na CGD mais utilitária. É bom para depositar cheques e notas, e para alguns serviços em que se requer o balcão. Fui avisado há uns dias que a CGD ia começar a cobrar comissão de gestão das contas à ordem. Nomeadamente irá praticar os seguintes preços:

  • Comissões gratuitas para saldos médios aos três meses de 2500€
  • 20€ anuais para saldos médios a três meses entre 1500€ e 2500€
  • 40€ anuais para saldos médios a três meses entre 100€ e 1500€
  • 58€ anuais para saldos médios a três meses menores que 1500€

É a velha história dos pobres pagarem mais. Na verdade é a forma que os bancos têm de forçar a fidelização, pois basta ter uma conta ordenado ou uns créditos para estes custos desaparecerem. Eu naturalmente não estou para pagar este tipo de comissão, por isso tive à procura de outras opções. Ao ver o preçario da CGD vi algo interessante que desconhecia: uma conta de serviços mínimos bancários sem comissões. Infelizmente este tipo de conta tem restrições relevantes, nomeadamente:

O cliente que pretenda aderir a este sistema deverá ainda declarar, em documento assinado, que não é titular de outra conta bancária

Ou seja, é um caso muito específico, provavelmente tendo em conta jovens ou pessoas com menos rendimentos. Num resultado relacionado, vi que o governo está a pensar em criar contas low cost:

Uma conta bancária ‘low cost’ para todos os consumidores deverá ser uma das próximas iniciativas a anunciar pelo Governo, no âmbito da defesa dos clientes bancários.

Isto sim já é interessante, resta saber para quando é que será implementado. Até lá é fechar a conta da CGD e procurar alternativas, talvez através do uso do banco da minha babe.

 

Equalização: solução para as dores nos ouvidos em aviões

26 May

Sempre que andava de avião sentia-me muito desconfortável, especialmente na descida. Sentia uma pressão dolorosa nos ouvidos, e não sabia bem porquê nem o que fazer. As hospedeiras eram atenciosas e davam dicas como respirar fundo ou mascar uma pastilha. Nunca percebi bem a lógica até ter as aulas de mergulho e perceber o conceito de equalização.

O que acontece é que o ar dentro dos nossos ouvidos fica sujeito a pressão. Imaginem que entrou uma quantidade de ar lá para dentro, e ao descer de altitude esse ar se vai expandido devido às leis da pressão. Essa expansão causa a dor que sentimos, e a forma de a anular é expelindo o ar que lá temos. Por isso é que elas aconselham mascar pastilhas, pois há pessoas que ao mascar conseguem estalar lá um spot que faz com que o ar se liberte. Não é o meu caso.

Há vários métodos para libertar o ar dos ouvidos. O que funciona comigo é tapar o nariz e soprar com força por forma a que essa corrente de ar encontre o caminho pelos canais dos ouvidos e saia por lá, substituindo assim o ar que lá estava por ar à pressão normal. Pode ser preciso ir fazendo isto várias vezes durante as subidas e descidas.

 
 

Erros comuns num aquário novo

25 May

Quando comecei o meu hobby de aquariofilia, já sabia que era preciso ter alguns cuidados iniciais, mas não sabia bem quais. Investiguei, mas mesmo assim acabei por cometer alguns erros. Este artigo serve para apresentar e discutir aqueles que considero os erros comuns quando se começa um aquário novo.

Erro 1 – Decoração e arranjo do aquário

Quando se começa um novo projecto de aquário, começa-se logo a pensar no seu layout e como as coisas vão ficar. Isto é uma actividade que pessoas mais experientes têm muito em conta e onde gastam muito tempo. Para os mais novatos a coisa é mais simples: é preciso algo para o chão, como areia ou cascalho, são precisas umas pedras e outro tipo de decorações, tal como algumas plantas.

Logo neste passo podem ser cometidos erros graves, pelo que é preciso simplificar. Há alguns factores a ter em conta: há decoração que pode alterar o pH da água e limitar o número de espécies possíves no aquário. Areia da praia ou algumas pedras podem ter esse efeito. O ideal é tentar começar com conteúdo que não altere o pH, nesse sentido é possível comprar nas lojas areia própria. Atenção para não se comprar aquelas areias todas coloridas… além de não ficar com um ar natural, diz-se que os peixes podem ficar menos confortáveis. Quanto às pedras, pode-se fazer um teste simples: testa-se o pH da torneira, e depois coloca-se um recipiente com água e as pedras e passados uns dias mede-se novamente o pH.

Comprar aquelas decorações dos mergulhadores, tesouros ou wrecks também é desaconselhado. E não se esqueçam que os peixes querem é espaço para nadar, não encham o aquário de tralha. O ideal é tornar o ambiente o mais natural possível, para que os animais se sintam bem.

Erro 2 – Colocar logo peixes no aquário

Após montar o aquário pode haver a motivação de comprar logo uns peixinhos. Isto é o erro mais comum e o pior que se pode fazer. Há uma coisa que é o Ciclo do Azoto, que tem de ser completado no aquário antes de colocar peixes. Nessa altura diz-se que o aquário está ciclado. Pode parecer complexo mas é muito simples: os peixes estão na água, comem e deixam os seus cocós. Já pensaram para onde vão os restos de comida e os cocós? Há o problema de a água poder ficar contaminada com tantos cocós, e fazer mal aos peixes. Daí ser preciso um período de aproximadamente um mês em que o aquário está vazio. Nesse período deve-se colocar comida de vez em quando. Neste período irão nascer colónias de bactérias que irão tratar da água dos nossos peixes.

Erro 3 – Escolha do aquário e de sistema de filtração

Não comprem um daqueles aquários redondos… a sério! Há de facto leis que os proibem, pois está provado que os peixes ficam lá meio arzebiuzados. Comprem um aquário paralelipepedo com um filtro e um termómetro. Decidam se querem peixes de água fria ou de água quente. Se gostam mesmo deste hobby considerem comprar um aquário maiorzito, quanto maior o aquário menos trabalho têm e mais conseguem fazer dele.

Se não querem começar em grande (tal como eu), pensem numa situação intermédia. Comprem um aquário mais pequeno agora já a pensar num maior amanhã. E o mais pequeno irá funcionar se preciso como maternidade ou alternativa temporária.

Erro 4 – Não fazer o trabalho de casa ao ir comprar peixes

Pode parecer estranho, mas não é aconselhável irem a uma loja e comprar os peixes que acharem mais bonitos. Até porque podem correr o risco do empregado vos informar mal e cometerem logo um erro ao início, como comprar um peixe que irá crescer demasiado para o vosso aquário. O ideal é procurarem na net e pedirem opiniões a quem já domina a coisa. Vejam que espécies vos agrada, vejam as suas características como o tamanho máximo e comportamento. Pesquisem se as várias espécies pretendidas se vão dar bem. Idealmente vocês têm já na cabeça as espécies que querem e vão à loja comprar aquelas específicas.

Não façam como eu que sem saber comprei um só serpae, que além de ser peixe de cardume, é conhecido por atacar as barbatanas dos escalares. Agora está no aquário pequeno.

Erro 5 – Não acondicionar os novos peixes

A mudança de água para os peixes é algo importante. É como se de repente nos transportassem daqui para aquelas montanhas altas com baixo oxigénio. Iriamos ter dificuldade em nos adaptar. O mesmo se passa com os peixes, pelo que quando compram novos peixes devem ter um período em que misturam a água do aquário com a água do recipiente onde eles estão. Colocam um pouco de 10 em 10 minutos para eles se irem habituando. No fim coloquem só os peixes no aquário, sem colocar a água do recipiente, não sabem se essa água estará em perfeitas condições.

Erro 6 – Adicionar demasiados peixes

Este erro tem duas partes: a primeira é que não devemos adicionar muitos peixes de uma só vez ao aquário, devido ao problema dos cocós falado anteriormente. A outra parte prende-se com o ter peixes a mais para o tamanho do vosso aquário. Há algumas regras que relacionam o tamanho do peixe com o número de litros associados. Por exemplo, diz-se que se deve ter 50 litros por escalar. Não se esqueçam que toda a trabalha que puseram no aquário faz baixar a capacidade em litros reais. Não queremos ter demasiados peixes para não prejudicar a sua saúde, pelo que devemos estudar o máximo de peixes possível.

Erro 7 – Dar comida a mais ou sempre a mesma coisa

Comida a mais pode ser um problema. Tem tudo a ver com as espécies de seres vivos que existem no vosso aquário, algumas das coisas que lá aparecem sem vocês pedirem, como as algas e os caracóis. Se põem comida a mais é nutrientes a mais que existem na água que vão ser alimento de algas e caracóis. Principalmente as algas são indesejadas e já é complicado ter o aquário num equilibrio sem algas com a comida necessário. Adicionar comida a mais pode causar um boom inesperado.

Também é aconselhável ir variando a alimentação dos peixes. Nós não iriamos gostar de comer feijões todos os dias da nossa vida, e eles também não. Comprem algumas variedades de comida distinta e variem a comida todos os dias. Há na net várias receitas de comida caseira, como por exemplo ervilhas cozidas. É só procurar. Os peixes agradecem, ficam mais bonitos e saudáveis.

Erro 8 – Aviso para os guppies

Os guppies são uma espécie muito popular que existe em quase todas as lojas. Têm uma cauda muito bonita o que os torna muito apelativos. Também são muito resistentes, sendo um peixe ideal para os novatos. Comprar guppies não é um erro, mas é preciso ter vários factores em conta: os guppies não se dão com muitas espécies (ou melhor, as outras espécies é que gostam de depenicar guppies). Se quiserem peixes maiores ou outras espécies pode haver problemas de compatibilidade.

Os guppies também são muito fáceis de reproduzir. Eu só tinha um casal de guppies e depois fiquei com 24 guppies. Metade foram comidos pelos escalares e os outros coloquei no aquário pequeno. Quando eles crescerem, se tiver 5 fêmeas e cada uma der à luz 10 peixinhos tenho um boom de guppies, o que é problemático. Ter uma postura no nosso aquário e ver os bebés crescer é muito bonito, mas se fosse hoje eu não tinha comprado guppies.

Erro 9 – Plantas

Ter plantas vivas no aquário é muito bom para o seu ecosistema. É preciso cuidado é a plantá-las no novo aquário. Antes de as introduzir é preciso lavá-las bem, pois não queremos ovos de seres indesejados a serem adicionados ao nosso aquário. Eu ganhei 9 caracóis assim, que se não tiver cuidado se podem tornar numa praga. As plantas não dão mto trabalho, mas é aconselhável dar-lhes nutrientes extra de vez em quando. O pessoal mais experiente coloca logo substracto fértil. Eu não fiz isso mas coloco de vez em quando pedaços de uns comprimidos que lhes trazem fertilizante. Plantas saudáveis embelezam o aquário e é engraçado ver os peixes a interagir com elas.

Erro 10 – Manutenção do aquário

Mesmo com o aquário com um ecosistema equilibrado, é necessária manutenção periódica. O descuido nesta mantenção pode ser agreste para as nossas espécies. É aconselhável fazer uma TPA (troca parcial de água) de semana a semana. eu vario entre uma e duas semanas, conforme a minha disponibilidade. Também é preciso limpar e cuidar do filtro periodicamente. Estas tarefas dão algum trabalho mas permitem-nos ir interagindo e tratando dos nossos peixes.

Conclusão

A aquariofilia é um hobby engraçado, mas que dá trabalho e custa dinheiro. Mas vale a pena! Ter um aquário é algo deveras zen e chama a atenção a todas as pessoas que lá vão a casa. Temos de ter cuidado com o que fazemos para não causar nenhum desastre, mas com boa vontade e atenção fica tudo mais fácil.

 

As amortizações valem a pena?

24 May

No final do meu artigo que compara prazos de compra de casa, disse que era bom falar das amortizações mas que não tinha muito contexto sobre o assunto. Em dicussão com os meus amigos consegui algum contexto extra e portanto decidi trazer este assunto das casas novamente a discussão. Em primeiro lugar, em relação ao ter o máximo de dinheiro do nosso lado, houve um amigo que me perguntou:

Mas para que é que tu queres tanto dinheiro do teu lado? Se for possível ir pagando e ainda teres pé de meia de segurança, porque não?

Na altura não soube responder. Mas depois pensei melhor nos objectivos de todas estas contas. O objectivo principal de toda a gente é ter o mínimo de custos possível. As pessoas querem despachar a compra de casa para terem mais dinheiro para si. A questão que levanto é se isso vale a pena, pois ao dar dinheiro ao banco em troca por mensalidades mais baixas, convém sabermos quanto tempo vamos demorar a recuperar essa riqueza, e se vale a pena.

As amortizações vêm de encontro a este assunto. Enquanto discutia com um amigo surgiu um exemplo deveras interessante. Imaginemos uma pessoa que está a comprar casa a 20 anos, com uma mensalidade de 400€, e ao ano 10 tem poupanças de 50k. E se ela der os 50k, fica com a casa paga. Valerá a pena? À primeira vista vale, mas vamos fazer umas continhas.

A primeira coisa a saber é quanto tempo é que essa pessoa vai demorar a recuperar os 50k. É que é um risco pesado, 50k dá para nos sustentar muito tempo se ficarmos sem emprego ou outra situação complicada. Ao amortizar tudo ele fica agora com 400€ por mês a mais. Quanto tempo demora a recuperar os 50k? Será então 50k /400 /12 =10.4 anos. Ou seja, libertou os 50k ao ano 10 para chegar ao ano 20 com a mesma poupança se não tivesse amortizado.

Mas há ainda mais vantagens em ter os 50k do nosso lado, nomeadamente:

  • 50k a uma taxa de 2% dá ~1000€ anuais. Ou seja, ele pode ganhar mais de 1000€ por ano só de ter um depósito com os 50k, o que faz com que ao final dos 10 anos tivesse bem mais de 10k euros só em juros
  • Há também a questão do IRS: é possível descontar no IRS os juros pagos no crédito à habitação. Não querendo entrar em detalhes, imaginemos que ele conseguia reaver via IRS 300€ por ano devido às suas prestações. Era mais 3k no final do periodo. Nota que se ele amortizasse os 50k não iria ter o retorno equiparável devido aos limites anuais

Cada caso é um caso, e o mais que podemos fazer é as continhas todas, sabendo que isto não é algo tão trivial como possa parecer.

 
 

Os PPR valem a pena?

23 May

Normalmente temos discussões muito interessantes no nosso grupo de amigos, como por exemplo acerca dos prazos para comprar casa. Muitas das vezes temos todos opiniões diferentes, o que resulta em debates muito acesos. Em relação aos PPR estamos todos em harmonia: não valem a pena, e há muita informação duvidosa a circular por aí.

Para começar é preciso falar das propriedades típicas de um PPR:

  • São aplicações de longa duração  (para os jovens), pois são aplicações que só podem ser desmobilizadas na reforma
  • São aplicações com benefícios fiscais relevantes

Isto é o típico. Mas agora há aí uns PPR que podem ser desmobilizados a qualquer altura desde que não os declaremos no IRS (leia-se: não tenhamos tirado dividendos fiscais dos mesmos). Eu esses PPRs vou ignorar, pois são apenas aplicações financeiras como depósitos a prazo, fundos, etc: têm uma taxa de juro ao ano e algumas restrições. Mas não é preciso esperar até aos 65 para mexer no dinheiro.

Quanto aos outros, é preciso analisar a coisa com muita atenção. Os bancos agora andam a aconselhar muito esse tipo de aplicações aos jovens, e metem PPRs em pacotes quando eles compram casa. É preciso ter noção que os maiores interessados em ter lá uma renda em que não podemos mexer durante décadas são os bancos, não somos nós. E nós precisamos do dinheiro é agora! A poupança é muito importante, mas há tantos mecanismos de poupança que não nos restrigem a décadas sem mexer no dinheiro, que os PPR se tornam desinteressantes.

Mas há benefícios fiscais! Pois é, isso supostamente é a grande vantagem dos PPR. O Banco BiG dá inclusivé valores para essas vantagens fiscais:

Exemplo: se tiver 36 anos de idade poupa nos seus impostos 350€ caso faça um investimento de 1750€.

Isto dá uma rentabilidade brutal ao PPR. Além da rentabilidade normal da aplicação o estado ainda nos devolve 350€. Não há nada melhor. Há aquela limitação de que só podemos mexer no dinheiro daqui a 3 décadas. E depois há aquele pormenor engraçado onde eu acho que há muita falta de informação. Vamos ler novamente: Além da rentabilidade normal da aplicação o estado ainda nos devolve 350€.

Ou seja, registamos 1750€ um ano no nosso IRS, e o estado devolve via IRS 350€. O devolve é que é muito importante aqui, e temos de pensar como funciona o IRS. Ao logo do ano pagamos X de IRS, no final do ano quando fazemos o IRS apresentamos despesas e conforme as regras do governo, podemos receber de volta. O estado devolve assim IRS a quem teve mais despesas relevantes e não supérfluas. Devolve, não dá nada. Ou seja, se eu ao longo do ano paguei somente 200€ de IRS, mas pus 1750€ num PPR, o estado devolve-me até 200€ e não os 350€.

Isto para quem ganha bem, é irrelevante. Mas para a maior parte das pessoas torna-se muito relevante e é preciso fazer as continhas todas para ver a rentabilidade verdadeira dos PPRs. Já vi vários bancos a sugerir PPRs aos meus pais, mas nunca nenhum pediu o IRS para os poder aconselhar melhor.

 

Sei que ela me completa…

22 May

… quando vou no carro de viagem para a terrinha, e a certa altura reparo que tenho os óculos metidos. E começo a pensar:

Epah, agora trouxe os ólicos, que seca, mas porque é que os trouxe? Ainda por cima tá calor, e não gosto nada de andar de ólicos ao ar livre… mas porque é que eu trouxe os óculos? Ah já sei, foi para ver as notícias matinais…

Passados apenas uns breves momentos, vira-se a minha babe para mim:

Olha aqui a tua caixa dos óculos mor.

Priceless…