Há uns dias uns tipos com quem tenho trabalhado fizeram-me uma proposta irresistível: querem pagar-me periodicamente para fazer umas coisas interessantes. O valor não é grande coisa, mas as regalias são priceless. Comecei a a ventura por conta própria há cerca de seis meses e tem sigo uma experiência revigorante. Conseguir algo que me dê um income mais estável a fazer algo que estou a adorar, é por certo bem vindo. Ainda assim têm surgido algumas perguntas pertinentes, nomeadamente qual a diferença para o modelo antigo em que tinha um patrão? Ora bem:
- Pela primeira vez sinto-me responsável pelo meu ordenado – Não me limito a esperar pelo ordenado ao final do mês, tenho sim uma vontade considerável de ser suficientemente rentável para me pagar e enriquecer a empresa. Nunca tive numa empresa que me fizesse nascer este sentimento.
- Sei o que se passa na empresa – Apesar de nunca o ter solicitado, noto uma abertura invulgar da gestão em me apresentar as contas e o que a empresa está a fazer. Não há aquela coisa de esconder quanto estamos a render ou o valor de venda do projeto, talvez com medo que os trabalhadores peçam aumentos.
- Não tenho restrições quanto à forma de trabalhar – Trabalho as horas que quiser, quando quiser e como quiser. E ironicamente não me lembro de alguma vez estar a ser tão produtivo como estou agora. Há dias em que trabalho seis horas e produzo imenso. Quando estava como corporate whore ficava meses sem produzir nada de jeito.
- Estou numa situação de menos risco, mas o risco não desapareceu – Estar numa empresa pequena é sempre arriscado, nunca se sabe o dia de amanhã. Eu tenho consciência desse risco e abraço-o. Ainda assim é uma situação bem mais confortável do que a que tinha anteriormente.
- Estou rodeado de pessoas que me completam – Sempre tive rodeado de pessoas T Shaped: pessoas muito boas numa área, e com conhecimentos noutras áreas. O problema é que todas essas pessoas tinham como melhor área exatamente a minha área. Agora é diferente, cada pessoa é melhor numa área diferente, criando sinergias que fazem o todo muito maior que a soma das partes.
- Estou a fazer coisas que adoro – Este deve ser o ponto mais interessante. Estou motivado e constantemente estimulado. Isto é algo que sempre tive noutras empresas durante pequenos períodos de tempo, mas agora é completamente diferente.
- Sinto-me valioso – Sinto que os meus colegas me dão o valor devido e que apostam em mim, tal como eu aposto na empresa.
Se eu tivesse criado a minha empresa, teria os três pontos acima, os outros quatro seriam mais complicados. Estou portanto numa situação de algum risco, mas reduzido, a fazer aquilo de que gosto, responsável pelos destinos da empresa e a colaborar com pessoas muito talentosas. Como benesse, não tenho de me preocupar com papeladas e contabilidades, o que também é um must. Diria que este cenário em que me encontro é sem dúvida juntar o útil ao agradável.



















Sapo Ninja
25/03/2011 at 9:12 AM
Como te detesto neste momento :) No bom sentido claro já que estou extremamente feliz por ti.