Aqui está o vídeo da nossa aventura de bicicleta de Tróia a Lagos. Tenho também a dizer que após negociações intensas com o MEO, há agora um canal com os vídeos do arzebiu em exclusivo!
Archive for February, 2012
Dia #3 – Aljezur a Lagos
Para compensar termos acordado super cedo na primeira noite, na segunda noite deixamo-nos dormir e só quase às 9h é que abalámos. Foi um erro que nos condicionou mais tarde, pois eu tinha de apanhar o comboio sem falta às 17h em Lagos. Estava era um frio de respeito. Quando começámos a pedalar víamos a relvinha toda branca da geada e ainda demorou um pouco até aquecermos. Eu mais uma vez sentia-me bem e recuperado. Não me doía o rabo que era o maior medo. Ainda assim já não me sentia a 100%.
Este dia foi um misto de alcatrão e de terra batida. Também passámos por paisagens muito bonitas e felizmente já não tivemos uma altimetria complexa para ultrapassar.
Também tivemos direito a mais uma praia. Desta vez o percurso foi curto, mas o que nos esperava no final da praia era a subida mais inclinada de toda a viagem. Foi a única vez em que suei e me caiam gotas de suor da cabeça. Eu nem fiz a subida toda. Penso que conseguiria, mas confesso que estava cansado, com a bagagem toda para carregar e tinha medo de fazer um esforço tão grande que depois isso me custasse caro.
No final da subida aproveitámos todos para descansar. Acho que este deve ter sido a parte mais remota de toda a viagem. Já em cima dos vales começámos a aumentar a velocidade e a certa altura o Tiago não leu bem uma curva e foi para as couves. Ainda perdemos um bom tempo a arranjar a bicicleta dele, que tinha ficado com um dos elásticos do alforges presos nas roldanas de trás. Após isso fomos rolando e mais uma vez parámos para almoçar com muita sorte. Era um restaurante que o Tiago já conhecia e a verdade é que não conseguimos comer uma dose e meia de frango assado. Nesta altura ponderávamos ir a Sagres ou não. Eu confesso que tinha muita vontade de ir, já que nunca tinha ido e estávamos mesmo lá ao pé. O problema é que ir implicava mais 20 km o que fazia com que tivéssemos de fazer 40 km até chegar a lagos.
Lá concordámos em arriscar e o caminho até lá foi a todo o gás. E tivemos a recompensa merecida de ter uma paisagem maravilhosa. Para Lagos faltavam 30 km e o Nuno já estava esgotado fisicamente. Para complicar ainda mais ao sair de Sagres apanhámos um vento de frente que nos impedia de andar a mais de 8 km/h. Por esta altura já estava a ver a vida a andar para trás. O Nuno estava a ser ainda mais castigado pelo cansaço mas a verdade é que mesmo que quiséssemos não conseguiríamos aumentar mais a velocidade.
Felizmente a certa altura virámos e perdemos o vento de frente. Aqui começámos a puxar e a rolar a uma velocidade mais a sério. O caminho ainda era algo complicado com muito sobe e desce e o Nuno começava a dar de si. Ainda ponderámos ir nós os dois até Lagos e depois o Tiago vinha buscar o Nuno, mas a verdade é que queríamos chegar todos lá ao mesmo tempo. A muito esforço o Nuno lá nos seguiu e felizmente conseguimos chegar à estação de Lagos pelas 16h30. O Nuno chegou todo KO, mas sem dúvida que é admirável o esforço que fez.
Já em Lagos aliviei a minha bicicleta de carga que eles iam ficar com ela e trazê-la no domingo e apanhei dois comboios até ao Oriente. Vim quase sempre meio a dormir e todo cansado. Foram 3 dias que apesar de serem uma aventura espantosa, deixaram marcas no meu corpo. Cheguei ao Oriente e fui comer uma mega pizza com a minha querida mulher que me foi buscar. A essa altura já eu estava tão cansado que me doíam os olhos. Mesmo assim não resisti a chegar a casa e a ver todas as fotos e todos os vídeos.
Depois destes 3 dias em que fizemos 270 km sinto que estou preparado para ir a Santiago de Compostela, mas que essa aventura requer um imenso respeito e preparação. Adorei fazer esta viagem e espero de ter oportunidade de fazer mais viagens como estas.
Dia #2 – Porto Côvo a Aljezur
Depois de um primeiro dia cansativo e em que não conseguimos descansar bem devido ao frio, esperava-nos aquele que era para ser o dia mais complexo em termos físicos. Se no dia anterior apanhámos mais alcatrão, neste dia esperava-nos muita terra batida. Acordámos cedo e por volta das 8h estávamos prontos para sair. Saímos de Porto Côvo logo para uma das partes mais maravilhosas de toda a viagem de bicicleta até ao Algarve: trajeto pela praia.
Foram cerca de 5km que fizemos em aproximadamente 2h. Ainda fizemos grande parte a andar, quando tínhamos terra muito solta ou pedras para ultrapassar. O resto do tempo tínhamos de ir com as mudanças mais baixas para conseguirmos ter atrito suficiente para nos movimentarmos. Pedalar assim na areia foi dos exercícios mais complexos de bicicleta que fiz. Além do equilíbrio é preciso aplicar muita força Mas o certo é que a paisagem e a sensação de ir a pedalar numa praia linda completamente deserta… é priceless.
Ainda parámos várias vezes para tirar fotos e para ver no GPS se estávamos mesmo no sítio certo, já que o Tiago não estava a reconhecer a praia. Mas íamos bem. Nesta fase só me preocupava se este esforço considerável que estávamos a fazer não nos iria comprometer no resto do dia. Afinal fizemos ali 5 km e ainda faltavam 70 km.
Depois de passar a praia comemos um pouco e apontámos para Vila Nova de Mil Fontes. Já lá fui uma vez passar férias mas desta vez foi bem diferente. Fomos até um miradouro para comer mais um pouco e descansar. A essa altura já o Tiago tinha caído sozinho num cruzamento e tinha perdido um parafuso do suporte dos alforges. Felizmente que veio prevenido com mais parafusos.
Parámos para almoçar e mais uma vez tivemos sorte com o restaurante. Não quisemos comer tanto para não ficarmos demasiado cheios. E recomeçámos a viagem devagar para não nos sentirmos mal. A verdade é que pouco depois já estávamos a rolar a um bom ritmo. O objetivo seria chegar a Aljezur, mas era um objetivo ambicioso. Por isso decidimos parar em Odeceixe e lá ver como estávamos. O caminho foi sempre muito bonito e com paisagens maravilhosas. Mas nem por isso foi mais simpático para as nossas pernas e chegámos a Odeceixe já com algum peso. Eram quase 16h e ainda nos esperavam cerca de 15 km. O Nuno já estava um pouco mal tratado mas lá arriscámos e seguimos. Logo para nos presentear pela decisão tivemos umas mega subidas.
Foi complicado mas ainda chegámos a Aljezur de dia, onde fizemos logo um bom negócio no primeiro hotel que encontrámos. Por sorte tínhamos também cozinha e um super mercado ali ao lado. Não queríamos passar frio e por isso ninguém refilou dos 75 € de custo. Ainda assim tivemos alguns problemas com a água quente. Tal como no dia anterior aproveitámos para poupar e comprar o jantar e o pequeno almoço seguinte. Desta vez não poupámos tanto assim mas também ninguém se queixou.
Foi um dia maravilhoso mas muito cansativo. O Nuno então estava queixoso e até ficou todo queimado de roçar as calças nas pernas. É um lembrete para nunca deixarmos uma pomada regenerativa em falta para estas viagens. Foram 80 km com altimetria simples mas puxados e m termos de terreno. Mas desta vez conseguimos descansar muito bem,
Duatlo das Lezírias 2012
Pode parecer um bocado extremo, mas depois do Duatlo do Jamor me ter corrido mal e ter feito uma ferida feia na mão, depois de 3 dias de bicicleta até ao Algarve, lá fui eu somente com um dia de descanso participar no Duatlo das Lezírias. Este duatlo é mais longo que o do Jamor mas é todo plano, e como fica relativamente perto lá fui participar. Sentia-me muito menos moído do que estava à espera e o maior problema foi mesmo falta de bicicleta. Como a minha bicicleta nova teve de ficar no Algarve tive de usar a bicicleta antiga velha do pingo doce.
O primeiro segmento de corrida eram 6 km que até fiz num ritmo muito bom. Sentia-me bem e estava a lidar bem com uma pedalada interessante. Talvez o meu corpo já estivesse habituado ao movimento contínuo dos dias anteriores a pedalar para o Algarve. Acabei a primeira corrida com 30 min, o que faz com que tivesse feito 5 min / km, uma velocidade que me bateria o record dos 10 km.
Como tinha a bicicleta velha não tive de trocar de tenis que nem tinha pedais de encaixe. Ainda estranhei muito ter os pés a saltar fora dos pedais mas comecei a rolar a um ritmo muito bom de 25/30 à hora. Por esta altura comecei a apanhar outros atletas e sentia que poderia recuperar neste segmento. Afinal eram 29 km planos e eu até me dou bem a rolar rápido nestas condições. A certa altura comecei a ver um mini pelotão e fiquei todo contente. Ao fazer uma curva decidi levantar e forçar para os apanhar, mas ao fazer isso a corrente saltou-me. Tive de sair e andar ali um pouco a arranjar a bicicleta. Nos entretantos foi passado por vários atletas. Voltei à carga mas com cuidado a pedalar e ainda assim a corrente me saltou mais duas vezes. Para complicar também houve uma parte de terreno mais acidentado onde tinha de ir bem devagarinho se não a bicicleta parecia que se ia desmanchar toda.
Acabei o segmento de bicicleta com 1h20 e fui lançado para os últimos 3 km a correr. Esta transição é criminosa, sentia as pernas super pesadas. Ainda assim consegui fazer estes 3 km em 16 min, acabando com cerca de 2h8m. Tive pena de não ter usado a minha bicicleta normal, já que acho que me iria divertir imenso e conseguiria rolar a 35/40 à hora. Ainda assim foi uma excelente prova e ainda por cima com a bagagem que levava portei-me super bem.
Dia #1 – Tróia a Porto Côvo
Há muito tempo que andava augado por não ter ido de Tróia a Lagos de bicicleta há uns meses atrás. No passado fim de semana o Tiago e o Nuno tiveram um evento da empresa precisamente em Lagos e há algum tempo que se falavam em ir vária gente de bicicleta. Eu naturalmente não podia deixar passar mais esta oportunidade e colei-me. Acabou por acontecer irmos só nós os três.
A preparação levou algum tempo e eu via esta volta como um teste para o Caminho de Santiago. Comprei um suporte de alforge que só se prende no selim, porque não conseguia nenhum com os encaixes que dessem para a minha bicicleta. O que comprei é muito porreiro e além de ser prático não deu quaisquer problemas. Depois foi juntar alguma roupa e várias outras coisas. No dia anterior confesso que estava muito ansioso.
Tive de me encontrar com o Nuno em casa dele às 6h50m da manhã. Estava bem de noite e por isso levei as luzes que tinha do passeio noturno. Tínhamos de ir de Odivelas até Entrecampos para apanhar o comboio para Setúbal. Lá fomos de noite e cheios de frio subir a Calçada de Carriche. Foi precisamente no início da subida que tive a única queda da viagem. Parei, não consegui tirar os pés a tempo e a bicicleta que estava mais pesada do que é normal foi ao chão comigo atrás. Nada a que eu já não esteja habituado.
Chegámos com tempo a Entrecampos e no comboio ainda fomos dando uns ajustes nas bagagens. Pouco depois entrou o Tiago e seguimos todos. Eles aproveitaram para trocar os alforges, já que os do Nuno são muito moles e estavam a dar problemas. Já em Setúbal tínhamos pouco tempo para apanhar o barco e seguimos com pressa, sempre por estrada principal. Felizmente chegámos bem a tempo para apanhar o ferry. Já do outro lado começou a aventura. E começou com muito alcatrão, por estradas praticamente desertas. Aqui íamos com uma boa média a rolar descansados.
Parámos para comer e tivemos muita sorte no restaurante. Depois disso lá continuamos pela estrada, desta vez com uma via em obras só para nós. Pouco antes de chegar a Porto Côvo veio a parte mais bonita do percurso, já que fomos sempre beira oceano e até apanhámos estradões de terra batida. Chegámos por volta das 16h a uma vila praticamente deserta. Após alguma pesquisa conseguimos um apartamento para os 3 por 35€, que foi um achado.
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Tendo dormida assegurada faltava tratar do jantar. Como tínhamos andado muito queríamos ter um jantar substancial, por isso quisemos fazer esparguete à bolonhesa. O problema é que não encontrámos carne em lado nenhum, tivemos de a substituir por umas salsichas king size que o Nuno comprou. Uma coisa que nos fez falta foi ter um recipiente com azeite e sal, para usar como tempero. Não tínhamos nada para temperar e não valia a pena gastar dinheiro a comprar quantidades enormes. Ainda assim fizemos um super esparguete que marchou todo.
Devido ao apagão não tínhamos televisão. Como estávamos cansados, fomos deitar bem cedo, pelas 20h. Não passámos muito bem a noite porque ficou frio e não tínhamos cobertores suficientes. Por isso no dia seguinte até levantámos mais cedo para prosseguir com a etapa seguinte. Foi um dia puxado, em que eu e o Nuno fizemos quase 95 km e foi pena não termos descansado a 100%. Ainda assim fomos deitar com sentido de dever cumprido.


















